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Tertúlia “Nazaré no Feminino” promoveu reflexão sobre mulher nazarena
09-03-2010
«Temos de ser nós [mulheres] a mudar o que ainda não mudou» na questão da igualdade entre os géneros. A afirmação é da socióloga Maria de Fátima Toscano, docente do Instituto Superior Miguel Torga, durante a tertúlia “Nazaré no Feminino” que se ontem decorreu na Biblioteca Municipal da Nazaré, para assinalar o Dia Internacional da Mulher.

A iniciativa, promovida pelo Museu Dr. Joaquim Manso em colaboração com a Universidade Sénior da Nazaré, reuniu no auditório da Biblioteca Municipal cerca de oitenta pessoas, para falar sobre a evolução da condição feminina e, em particular, o ser “mulher da Nazaré”.

Segundo Maria de Fátima Toscano, a melhoria nas condições laborais, os direitos sociais adquiridos e a partilha de tarefas domésticas entre homens e mulheres são algumas das conquistas registadas ao longo de «100 anos de oitos de Março», mas «há ainda muito por fazer». «O problema não é a diferença entre os sexos, mas sim quando essa diferença é base de desigualdade», declarou a socióloga, acrescentando que a defesa da «condição feminina é uma negociação de poderes».

Enquadradas por fotografias alusivas a cenas do quotidiano laboral e social feminino da Nazaré ao logo do século XX, pertencentes ao espólio do Museu Joaquim Manso, Lurdes Petinga Almeida e Júlia Salvador foram convidadas pela organização para falar sobre a “mulher da Nazaré”.

Professora, licenciada em História, Lurdes Petinga começou por apresentar as suas referências familiares, todas associadas a mulheres. «A minha infância foi marcada por mulheres lutadoras. A minha história de vida não pode ser contada sem falar delas», afirmou.

Oriunda de uma família ligada à pesca, Lurdes Petinga cedo percebeu que queria «fazer outras coisas na vida». Incentivada por outra mulher, uma professora, prosseguiu estudos. «É preciso que as raparigas jovens percebam o que querem para si», frisou.

Ao contrário de Lurdes, Júlia Salvador não pôde concretizar o seu sonho de continuar os estudos para além da 4ª classe. Representante de uma geração anterior, teve de ajudar a mãe «na vida do peixe» desde os 11 anos. «Tive um grande desgosto de não ter estudado. Por isso, quis garantir que os meus filhos tinham essa oportunidade», declarou. Com uma vida dedicada ao trabalho árduo, Júlia Salvador reconheceu que «devo à minha mãe a força interior que me permitiu aguentar as dificuldades».

Numa sessão muito participada pelo público, a tertúlia foi moderada por Dóris Santos, directora do Museu Dr. Joaquim Manso.

Esta actividade insere-se no projecto “Conversas de Algibeira”, promovido pelo Museu em parceria com a Universidade Sénior da Nazaré. Um projecto que visa desenvolver uma reflexão e a elaboração de trabalhos em torno de um dos mais interessantes elementos do traje tradicional feminino da Nazaré.

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