Porção de tronco silicificado de uma gimnospérmica, tendo sido erigido em substituição do antigo pelourinho manuelino. Apresenta uma história tafonómica diversificada e uma importância cultural intimamente relacionada com a vila da Pederneira. É um dos monumentos mais relevantes da Nazaré.
A designação desta vila da Pederneira poderá ter tido origem neste tronco de conífera fossilizado e encontrado na região. Este fóssil silicificado poderá ter sido utilizado pelo Homem do Neolítico como menir, integrando um conjunto de alinhamentos regionais com significado mágico-religioso, englobado, desde muito cedo, nas crenças arcaicas dos grupos humanos que colonizavam esta região.
Este antigo marco terá sido encontrado pelos primeiros povoadores. O espaço sacralizado pelo símbolo pagão, onde foi encontrado pela primeira vez, é mantido como cemitério até à actualidade preservando, assim, o seu significado religioso.
Por volta de 1514, quando D. Manuel concedeu novo foral à vila da Pederneira, foi erguido na praça principal um pelourinho ao estilo manuelino. A Pederneira preservou o estatuto concelhio até 1855, altura em que, por declínio demográfico face à evolução recente da cosmopolita Praia da Nazareth, foi anexado ao concelho de Alcobaça até à criação do município da Nazaré em 1912. Em 1886, o tronco fossilizado foi transportado para a Praça Bastião Fernandes a partir do antigo cemitério, em substituição do antigo pelourinho manuelino então destruído, como que apelando a um sentimento autonómico. Deste modo, a partir de 1912, torna-se no único exemplo do mundo em que um fóssil foi aproveitado directamente como símbolo popular da soberania local.
O tronco-pelourinho da Pederneira encontra-se classificado desde 1933 como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto-lei n.º 23122, DG231, com significado histórico-cultural.