Igreja da Misericórdia

Na Pederneira, no Largo da Misericórdia, situa-se este templo setecentista, de feição maneirista, classificado como Monumento de Interesse Público.
A primitiva Capela da Misericórdia foi criada para albergar a Irmandade da Misericórdia da Pederneira instituída antes de 1561, que tinha como principal função administrar o Hospital da Pederneira.
Contudo, a data de construção desta igreja ainda continua por investigar, uma vez que, segundo alguns historiadores, esta terá sido erigida sobre as ruínas de uma igreja mais antiga. De acordo com a tradição, a construção da igreja e anexos datam do primeiro quartel do século XVIII.
Em 1877, a irmandade foi extinta e os seus bens passaram para a Real Casa de Nossa Senhora da Nazaré, que fundou um Hospital no Sítio da Nazaré, para continuar a acção de assistência daquela Misericórdia. Provavelmente, à época, o antigo hospital e a casa da irmandade, de que restam o portal de acesso e uma escada no alçado oeste da igreja, já estariam num estado próximo da ruína.
O actual templo é caracterizado pela ampla fachada do barroco clássico tardio. O interior é constituído pela nave central e por um altar-mor, coberta por uma falsa abóbada de madeira, em arco abatido. Preserva do lado da Epístola a tribuna da Irmandade, constituída por cinco colunas jónicas de mármore. Do mesmo lado, à entrada, vê-se uma lápide, datada de 1716, com as obrigações dos mesários da Instituição.
Sobre a porta de entrada existe um painel de azulejos figurando a N.ª Sra. da Misericórdia. O púlpito merece destaque pelo belo dossel em talha dourada.
O altar-mor está demarcado do corpo da igreja por dois degraus e por uma balaustrada de madeira. Os altares laterais, em talha dourada, ladeados de colunas estriadas, contêm as imagens do Senhor da Cana Verde, do lado direito, e de Nossa Senhora da Soledade, do lado esquerdo.  
Nesta igreja guarda-se, no altar-mor de talha dourada barroca, uma bela imagem do Senhor dos Passos, de grande devoção popular, o qual é celebrado, em procissão, três semanas após o Carnaval. Por baixo deste, um altar de caixa envidraçado, conserva uma imagem de Cristo morto.