Educação

Nazaré associa-se às comemorações para a Prevenção dos Maus-Tratos Infantis

A Caminhada de Solidariedade contra os Maus-Tratos Infantis [no âmbito da Campanha Nacional de Prevenção de qualquer forma de violência contra as crianças e os jovens], que se realiza no próximo domingo, dia 26, às 10h00, é uma das iniciativas desenvolvidas localmente. O ponto de encontro para a caminhada é a Praça Sousa Oliveira.

Igualmente integrada nesta Campanha, decorreu na terça-feira, dia 21, a reunião da Comissão Alargada da CPCJ da Nazaré, que contou com a apresentação e intervenção sobre o tema por Carlos Mota de Carvalho, da PSP de Leiria, há vários anos ligado à investigação de crimes de violência doméstica, nomeadamente no distrito.

O agente referiu-se à violência doméstica como “um atentado contra os direitos humanos” e que acontece, geralmente, “no seio familiar, o que a torna mais difícil de investigar, porque não há testemunhas”, mas também porque ainda “prevalecem crenças antigas de que entre marido e mulher ninguém mete a colher”.

O número de detidos por crime de violência doméstica tem vindo a crescer, mas “há situações terríveis, como as separações ou divórcios que deixam crianças e jovens como armas de arremesso no processo”, e com marcas da violência doméstica.

“Uma vez vítimas, a marca ficará para sempre”, frisou Carlos Mota Carvalho.

Carlos Mota Carvalho referiu-se a alguns dados sobre o crime no distrito de Leiria, frisando que os agressores são, na sua maioria, pais, mães, padrastos ou madrastas, e que o crime acontece contra crianças, jovens, mulheres e idosos, havendo, em termos estatísticos, mais mulheres (88%) do que homens referenciadas como vítimas.

Na maior parte das vezes, este crime acontece aos fins de semana, altura em que os casais se encontram mais tempo juntos, enquanto as segundas-feiras são, por norma, o dia da semana em que aumentam as denúncias por incumprimentos parentais.

 

 

Ainda de acordo com o agente o “ciúme, por vezes doentio, outras delirante, conduz, muitas vezes, ao crime” que, nos últimos dias, tem sido notícia, com casos de crianças vítimas de maus-tratos levados ao extremo.

Carlos Mota Carvalho, que deu a conhecer as técnicas de avaliação de risco para situações de violência doméstica desenvolvidas na esquadra da PSP Leiria, realçou que “não haverá proteção dos menores se não houver uma intervenção precoce”.

O agente destacou o “trabalho brilhante” das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens na sua intervenção nas situações de perigo, lembrando que trabalham diariamente para que o fim seja a “prevalência das crianças em meio natural de vida e na defesa do seu superior interesse”. Terminou apelando a um maior envolvimento das Instituições e Sociedade Civil, uma vez que cabe a todos fazer a prevenção destas situações.