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“A onda gigante e o canhão da Nazaré” celebram o Dia do Mar na Nazaré

“Celebrar o mar é, também, celebrar a Nazaré”, afirmou Walter Chicharro, presidente da Câmara, no seu discurso de abertura do Workshop, recordando que “se no passado este mar esteve associado a uma dimensão trágica do quotidiano das famílias dos pescadores - numa época em que não existia o Porto da Nazaré (inaugurado em 1983) -, hoje vemo-lo fotografado e invariavelmente estampado nas capas de publicações de dimensão planetária pelos melhores motivos ou a abrir o noticiário da CNN”.

O autarca referiu-se, ainda, à proposta da Câmara para “assumir a gestão” do Forte de S. Miguel Arcanjo, património da Marinha Portuguesa, à importância que a atual gestão dá ao património, e ao “mar como elemento estruturante para o desenvolvimento de Portugal”, para apelar, em seguida, à “aplicação de medidas concretas que permitam potenciar este valioso recurso”.

Por seu turno, José Luís Branco Seabra de Melo, Diretor Geral do Instituto Hidrográfico, referiu-se à ação que decorreu na Nazaré como mais uma forma de “acrescentar saber” e como uma “aposta nos equipamentos”, manifestando, ainda, os desejos da boa continuação de “cooperação entre instituições” e que “o dia do Mar seja celebrado todos os dias, por todos”, congratulando-se, em seguida, pelo facto de “a Nazaré estar nesse caminho”.

“A passagem de conhecimento é um objetivo desta sessão”, acrescentou, lembrando que o interesse científico pela espetacularidade do canhão da Nazaré tem décadas, e que se recorda de há, pelo menos, “30 anos ser alvo de estudos vários”.

Jorge Manuel Lourenço Gorricha, Capitão da Capitania do Porto da Nazaré, também realçou a importância do Canhão da Nazaré, “conhecido da comunidade há vários anos”, e congratulou-se pela abertura do Forte de S. Miguel Arcanjo à população, o que aconteceu durante verão e, agora durante os meses de outubro e novembro, “o que resulta de uma parceria” entre várias entidades.

Depois da sessão de abertura, seguiram-se quatro apresentações que contribuíram para um melhor conhecimento do fenómeno das ondas gigantes e da riqueza sedimentar do fundo do mar, movimentada pelo canhão, e daí a “excelente qualidade do peixe que é pescado na Nazaré”.

“A História Geológica do Canhão da Nazaré”, por João Francisco (IH); “A importância do canhão da Nazaré para as condições oceanográficos na costa e ao largo: ondas extremas, avalanches submarinas e outros processos físicos”, por João Vitorino (IH); “Transporte sedimentar e experiência de traçadores na praia do norte (projeto Beach 2 Canyon), por João Duarte (IH) e Rui Taborda (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa); “Processos de Oceanografia Química – a influência do canhão da Nazaré), por João Remédio dos Reis, foram as apresentações feitas, durante esta tarde, em que se celebrou o mar.