Parque da Pedralva

Parque da Pedralva: O Monte Pedralva transformado num Parque
 
Com a vinda de centenas de turistas e banhistas, nos anos 30, a Comissão de Iniciativa, cujo presidente era José Pedro decidiu que a Nazaré necessitava de um parque de lazer.

A constatação de que, perante o aumento do número de turista, da necessidade de criar espaços alternativos à praia, permitiu perceber a necessidade de criar um parque, um pouco de arborização acolhedora no estio.

Estava ali, afinal, à mão de semear, pomposo, quase um brinquedo na majestade ambiente. Bastaria para isso, e pouco mais, adoçar os córregos, frondar uma ou outra pequena clareira, alinhar o platô, distribuir caprichosamente a água abundante desbravar a chã, lugar propício para recreios, lavores, etc…

Na verdade, existia ali a dois passos o Monte da Pedralva, cone alto de vegetação espontânea, sem viva alma porque era pouco acessível. Olha-se de lá todo o dorso da Vila, os recortes admiráveis da costa, a vastidão oceânica. O cabeço vê, cara a cara como num desafio, a esplanada alterosa do “ Sítio”.

Segundo José Pedro em entrevista ao jornal já citado, «Estamos transformando o Monte Pedralva e o campo de eucaliptos junto, a que ligámos por compra, uma propriedade agrícola adjacente. Tudo isto, como vê, é qualquer coisa de importante para o progresso estético da vila.

A comissão tenciona convidar um técnico para elaborar a planta de um futuro parque com um belo lago, court de ténis, etc, ajardinar a parte plana junto ao sopé do monte, e também uma parte do campo de eucaliptos.»

Foi, pois, com base nestas premissas que o Parque da Pedralva passou a ser o destino de muitos dos turistas que, organizando piqueniques e outras atividades de “bem passar o tempo”, aqui perdiam horas de delicioso encantamento, onde poderiam relaxar, passear e apreciar as vistas, a partir do Monte Branco, disfrutar da diversidade da fauna e da flora e sentar-se nos bancos, espalhados pelo jardim, com composições azulejares da década de trinta do século passado.

Mas, com o passar dos anos, o Parque da Pedralva, deixou de ter essa componente de espaço de congregação social e de lazer, caindo no abandono e no esquecimento, transformando-se num local que apenas as memórias espelhadas nas muitas fotografias e em alguns apontamentos de jornal faziam recordar os tempos em que aquele local se constituiu como o único parque natural de usufruto social na Nazaré.

 

 

O Parque da Pedralva reabriu renovado, apresentando-se ao público com a área central aprazível ao lazer de adultos e crianças. A nova imagem resulta da implementação do projeto de requalificação da autoria do arquiteto Álvaro Manso.
A reabilitação fez-se através da beneficiação das áreas de circulação pedonal; valorização dos espaços de encontro; da reabilitação do equipamento de apoio ao utilizador; ordenamento dos espaços; e uniformização da linguagem visual por meio de mobiliário urbano e, também, pela valorização das áreas livres, aumento e melhoria dos espaços verdes e requalificação das linhas de água.
Assim, esta primeira fase da requalificação ambiental traduziu-se na oferta de um novo espaço amplo, com ajardinamento ao centro, que substituiu os antigos campos de ténis; um lago, no topo, que foi reabilitado; papeleiras; casas de banho; iluminação pública; muros e caminhos melhorados; bancos e sanitários.
A obra irá prosseguir. As entradas do Parque, mas também o “Monte Branco”, local que oferece uma das mais belas panorâmicas sobre a Praia da Nazaré, serão os próximos alvos da intervenção, que teve início há um ano, numa iniciativa da Câmara Municipal e Junta de Freguesia.
A nova imagem e linguagem do Parque (Monte Branco, incluindo o miradouro no Monte Branco, situado a nascente da Vila da Nazaré) são da autoria do arquiteto Álvaro Manso, que teve como princípio o conhecimento do conjunto de características socioculturais, arquitetónicas, de linguagem, de hábitos que caracterizam o lugar e que indicam o carácter do lugar.
A abertura do espaço como um todo, preservando os seus valores histórico-culturais, tornando-o convidativo à descoberta de espaços temáticos de recreio e lazer, com escala, simplificando a leitura visual ao visitante são os objetivos desta intervenção.