Câmara confirma auditoria às contas do Município
As causas que levaram à interdição da praia no verão passado continuam sob investigação.
O Presidente da Câmara Municipal da Nazaré informou o executivo sobre o ponto de situação relativo às ocorrências registadas na Praia da Nazaré no final de julho e início de agosto do verão passado, que motivaram a interdição temporária da zona balnear, por várias ocasiões.
De acordo com o relatório da Autoridade de Saúde da ULS Região de Leiria, foram identificados 156 casos de gastroenterite aguda, maioritariamente em crianças, não se tendo registado internamentos nem óbitos, tendo a análise epidemiológica indicado que a exposição terá ocorrido sobretudo nos dias 30 e 31 de julho, sendo os sintomas compatíveis com agentes de transmissão fecal-oral, não tendo sido identificada qualquer fonte alimentar comum.
A investigação ambiental desenvolvida pela ULS reportou alterações pontuais da cor e do odor da água do mar, compatíveis com um episódio acidental e localizado de descarga de águas residuais, tendo as análises laboratoriais realizadas no dia 1 de agosto apresentado resultados conformes para uso balnear, admitindo a Autoridade de Saúde que a colheita possa ter ocorrido já após o episódio de contaminação
O Presidente da Câmara sublinhou que estas conclusões não substituem nem prejudicam a perícia técnica contratada pelo Município, que se encontra ainda em curso, nem o processo que corre termos no Ministério Público, ao afirmar que se “aguarda serenamente as conclusões finais, mas não podemos deixar de manifestar a nossa preocupação, dado que esta situação poderá vir a originar processos judiciais contra o Município”.
Serafim António informou, ainda, que, no plano do contencioso municipal, se realizou recentemente uma reunião com a empresa promotora do projeto do Zipline, tendo sido equacionada a possibilidade de um acordo, mas a Câmara Municipal entendeu que “não estão reunidas condições para esse entendimento”, pelo que o processo seguirá os seus trâmites legais, tratando-se de uma situação herdada de anteriores executivos.
Já relativamente à auditoria às contas do Município, o autarca esclareceu que já foram dadas instruções para o início imediato do procedimento de contratação, encontrando-se o processo dependente da adesão dos Serviços Municipalizados e da Nazaré Qualifica, tendo reiterado que “a auditoria não se limita aos últimos seis meses, mas tem como ponto de partida o dia 30 de junho de 2025”, data correspondente às contas mais recentes aprovadas pela Câmara Municipal, podendo abranger um período retroativo alargado, até 20 anos, em função dos processos analisados.
“A ideia de que esta auditoria incide apenas sobre os últimos seis meses não corresponde à verdade e resulta de desinformação sobre o funcionamento destes procedimentos”, reforçou o autarca.
