Município apresenta à APA prioridades para a proteção e valorização da frente costeira da Nazaré
O Presidente da Câmara Municipal da Nazaré, Serafim António, reuniu-se com o Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Pimenta Machado, numa sessão de trabalho dedicada aos principais desafios ambientais e costeiros do concelho. Entre os temas em análise estiveram o assoreamento da barra e da foz do Rio Alcoa, a dinâmica dos sedimentos, a proteção da frente costeira, a estabilidade das arribas, a reabilitação dos molhes do Porto da Nazaré, a gestão do Rio da Areia e a necessidade de reforçar a sustentabilidade ambiental do território.
A reunião permitiu apresentar à APA um conjunto de preocupações e propostas do Município, algumas enquadradas nas competências daquela entidade e outras, dependentes da articulação entre diferentes organismos da Administração Central. O objetivo passa por promover uma resposta integrada para um território em que o mar, os cursos de água e a proteção ambiental constituem fatores determinantes para a segurança das populações, a preservação dos ecossistemas e o desenvolvimento económico.
Entre as prioridades estiveram a necessidade de avançar com intervenções estruturais na frente costeira, designadamente na reabilitação dos molhes do Porto da Nazaré, no desassoreamento da barra e da foz do Rio Alcoa, na monitorização da estabilidade das arribas e na avaliação de soluções para mitigar a erosão litoral, incluindo o estudo da dinâmica sedimentar e de mecanismos de reposição de sedimentos. O Município deu igualmente nota dos investimentos que tem vindo a realizar na melhoria das infraestruturas ambientais, nomeadamente na requalificação do sistema de saneamento da zona norte da vila, uma intervenção na ordem dos 500 mil euros destinada a reforçar a proteção ambiental e a qualidade das águas balneares.
Um dos assuntos que mereceu especial atenção foi o Forte de São Miguel Arcanjo, património classificado e um dos locais mais emblemáticos da Nazaré, cuja envolvente recebe milhares de visitantes sempre que se verificam condições para a formação das ondas gigantes.
Na reunião, Serafim António defendeu que esta realidade "tem de passar a ser vista como um problema nacional", sublinhando que o elevado número de pessoas que procura o promontório ultrapassa a dimensão local e representa um desafio de segurança.
"Não é só uma questão de um produto turístico. É o que queremos deste local. Queremos proteger o meio ambiente e criar as condições para ali ter as pessoas, em segurança."
O Presidente da Câmara reiterou a intenção do Município de criar um anfiteatro em madeira e um novo miradouro, capazes de ordenar os fluxos de visitantes, proteger a arriba e garantir melhores condições de segurança.
"Queremos ter ali um anfiteatro em madeira, um miradouro para se ver a Nazaré, com capacidade para proteger a arriba e as pessoas que ali acorrem. Estamos disponíveis para o estudo geotécnico, mas queremos a APA do nosso lado."
Outro dos temas considerados prioritários foi o Rio da Areia, em Valado dos Frades, cujas limitações estruturais ficaram particularmente evidentes durante a tempestade Kristin, quando o caudal galgou as margens, inundando campos agrícolas, estradas e condicionando a circulação ferroviária.
O Município voltou a defender a necessidade de uma intervenção estrutural ao longo de cerca de 10 quilómetros daquela linha de água, que permita melhorar o escoamento, reduzir o risco de cheias e criar condições para uma manutenção mais eficaz e menos onerosa no futuro.
No final da reunião, o Presidente da APA, Pimenta Machado, manifestou abertura para acompanhar os principais dossiês apresentados pelo Município, reconhecendo a importância estratégica da Nazaré.
"Gostei do que ouvi, embora alguns aspetos extravasem as nossas competências. A Nazaré é, sem dúvida, um cartão de visita da Região. As pessoas deslocam-se pelo que se passa no mar."
Relativamente às matérias diretamente relacionadas com a Agência Portuguesa do Ambiente, o responsável garantiu disponibilidade para desenvolver trabalho conjunto com o Município, nomeadamente no acompanhamento das questões ligadas à segurança costeira, à monitorização das arribas, à gestão da dinâmica sedimentar e às restantes matérias que integram as competências da APA.
