17 de outubro | Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza
A pobreza não se mede só pelo rendimento. Pode manifestar-se na dificuldade em pagar a renda ou a prestação da casa, em manter a habitação aquecida no inverno e fresca no verão, em garantir uma alimentação equilibrada, em suportar despesas de saúde, em acompanhar o percurso escolar dos filhos ou em aceder à cultura e aos meios digitais. Pode manifestar-se ainda na falta de tempo, de apoio e de condições para participar na vida da comunidade.
Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística, em 2024, 15,4% da população residente em Portugal estava em risco de pobreza, o que corresponde a viver com menos de 723 euros por mês por adulto equivalente. Em 2025, 18,6% da população, perto de 2 milhões de pessoas, encontrava-se em risco de pobreza ou exclusão social. Os indicadores registaram uma melhoria face aos anos anteriores. Mesmo assim, dizem respeito a muitas pessoas e famílias, e algumas vivem a dificuldade de forma discreta.
O risco de pobreza afetava 42,6% das pessoas desempregadas, mas também 8,6% das pessoas com emprego. Em 2025, 10,2% da população vivia em situação de privação material e social, e cerca de 15,6% em habitações que não conseguia manter adequadamente aquecidas. Os custos com a habitação, a energia e os bens essenciais pesam hoje de forma significativa no orçamento de muitas famílias.
As situações de vulnerabilidade são diversas. Há pessoas que trabalham e, ainda assim, têm dificuldade em chegar ao fim do mês. Há famílias com encargos elevados com a casa e pessoas idosas que vivem sozinhas. Há famílias monoparentais e pessoas que cuidam de um familiar dependente com pouco apoio. Há jovens adultos com dificuldade em ganhar autonomia e quem chegue a uma nova comunidade sem uma rede de suporte. A falta de conforto térmico, a dificuldade no acesso aos meios digitais e o isolamento social também afetam a qualidade de vida e o acesso a direitos.
Muitas destas situações não são visíveis à primeira vista. Podem estar na renda paga com atraso, na conta da eletricidade, na consulta adiada ou no medicamento que fica por comprar. Podem estar num equipamento essencial que não se consegue substituir, na falta de transporte ou na solidão. Podem estar na escolha, repetida todos os meses, sobre qual das despesas básicas fica para depois.
A erradicação da pobreza, em todas as suas formas e em todos os lugares, é o primeiro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas. Os progressos dos últimos anos são reais, mas ainda há muito por concretizar, e esse caminho faz-se também em cada território, com proximidade e trabalho em rede.
Neste Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, o Município da Nazaré associa-se à campanha «Pobreza de A a Z», da EAPN Portugal – Rede Europeia Anti-Pobreza, e leva a sua mensagem ao Concelho. Nenhuma destas situações deve ser vivida em silêncio. Pedir informação ou apoio é um direito, e quanto mais cedo uma dificuldade é conhecida, mais possibilidades existem de encontrar uma resposta adequada.
A Divisão da Coesão Social do Município da Nazaré, através do Gabinete de Ação Social e do Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social (SAAS), está disponível para informar, esclarecer, apoiar, acompanhar e encaminhar pessoas e famílias, de acordo com as necessidades de cada situação e em articulação com as entidades parceiras do concelho.
Estamos cá. De A a Z, caminhamos consigo.
A falta de dinheiro é só a parte visível da pobreza. A pobreza tem muitas dimensões.
Divisão da Coesão Social _ Gabinete de Ação Social / SAAS Nazaré
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